
O site de entretenimento “Omelete” disponibilizou hoje os novos comerciais de “Tintim: O Segredo do Licorne” produzidos para o mercado alemão. Assisti entusiasmado, mesmo não apresentado detalhes do enredo. E fiquei ainda mais curioso em assistir ao filme, que promete ser um dos melhores lançamentos do ano que vem (se não o melhor de todos). E afirmo isso com base em dezenas de motivos. Um filme de animação (primeiro de uma trilogia) dirigido por Steven Spielberg, produzido por Peter Jackson, utilizando o que existe de mais moderno em tecnologia de captura de movimento e baseado nos célebres quadrinhos de Hergé. Como uma equação dessas pode dar errada?
Eu praticamente cresci assistindo a série animada de Tintim na TV Cultura e só fui conhecer detalhadamente suas histórias em quadrinhos depois da adolescência, quando histórias de super-heróis não supriam mais minhas necessidades por diversão sem pretensões. É natural a todo aquele que lê quadrinhos se interessar por outras linhas editoriais que não sejam os supers em algum momento da vida. Nada contra os heróis da Marvel, DC ou Image. Até hoje sou fã e coleciono revistas do Batman, Homem-Aranha, Authority e etc. Mas num dado momento eu queria mais, e cai de cabeça nas produções européias.
Nessa época conheci Moebius, Morris, Goscinny, Manara, Bonelli, Uderzo e Hergé. Graças aos sebos da Liberdade, principalmente, onde comprei meus primeiros álbuns do Lucky Luke, Asterix e Tintim (aliás, aproveitarei minhas férias e irei fuçar aquelas bandas novamente). E as histórias de Tintim eram sempre as mais empolgantes.
“As aventuras de Tintim” foi criado pelo belga Georges Prosper Remi, ou Hergé, em 1929 e apresentado ao público em um suplemento infantil do jornal “Le Vingtième Siècle”. O personagem principal é o próprio Tintim, um jovem repórter belga que viaja o mundo, em histórias com muita aventura, mistério, ficção, espionagem e bom humor. Une-se a ele, seu fiel companheiro, o cão Milu. Além deles, participam das histórias o Capitão Haddock, os detetives Dupond e Dupont, e muitos outros personagens secundários.

A série em quadrinhos teve um total de 24 álbuns e a série animada teve duas temporadas, totalizando 39 episódios. Dentre os 24 álbuns, elenco como melhores, em minha humilde opinião: “O Lótus Azul”, “O Segredo de Licorne”, “O Caso Girassol”, “Tintim no Tibete” e “O Templo do Sol”. Alguns álbuns de Hergé, até hoje causam polêmicas ao torno do mundo. De acordo com o portal online do jornal de Pernambuco:
“Bienvenu Mondondo pediu a um tribunal belga para retirar o livro "Tintim no Congo" do mercado, alegando que a história está recheada de estereótipos racistas envolvendo os africanos. Um dos advogados de Mondono, Ahmed L′Hedim, argumentou que o livro, escrito pelo celebrado cartunista belga Hergé em 1931, viola as leis antirracismo belgas. "Imagine uma menina negra de 7 anos descobrindo Tintim no Congo com os colegas de escola", sugeriu o advogado, criticando a descrição feita pelo livro de um homem negro, como sendo "devagar, submisso e estúpido", além de "incapaz de falar francês corretamente".
Além disso, os álbuns de Tintim já foram alvos de diversas acusações: propagação de violência, crueldade contra animais, racismo, fascismo e machismo. Hergé sempre negou essas acusações, reeditando suas histórias sempre que necessário. Devemos lembrar a situação histórica no momento do lançamento das histórias de Tintim. Fora desse contexto pode sim existir más interpretações. Porém, nada disso muda a posição de Hergé no pedestal de grandes autores mundiais de quadrinhos e também não rebaixa o valor literário das aventuras de Tintim.
O segundo pilar do filme se encontra nas figuras de seus produtores/diretores: Steven Spielberg e Peter Jackson.

Spielberg dispensa apresentações, pois é nada mais que um dos maiores cineastas da atualidade. Gênio imaginativo por trás de “Indiana Jones”, “E.T”, “A Lista de Schindler”, “Jurassic Park”, “O Terminal”, “Munique”, entre outros. Além disso, produziu grandes clássicos da sessão da tarde como “Os Goonies” (clássico dos clássicos), “De Volta para o Futuro”, “Homens de Preto”, “Twister” (até eu queria estar no meio daqueles tornados), “Balto” (quem não se lembra do lobo que queria puxar um trenó no Alaska e era desprezado pelo outros cães) entre outros.
Peter Jackson ficou famoso por trazer às telas um dos maiores clássicos literários do mundo, “O Senhor dos Anéis”, tornando-o um dos maiores blockbusters de todos os tempos. No inicio da carreira se dedicava a filmes de terror trash e o principal foi “Fome Animal” (assisti apenas uma vez, e é realmente muito legal). Além disso, também dirigiu a refilmagem de “King Kong” (serei honesto, não gostei muito) e “Um Olhar do Paraíso” (esse sim um filme muito bom, com ótimas atuações e uma história muito triste).
Essa primeira produção será dirigida por Spielberg e produzida por Jackson. O próximo filme a direção ficará a cargo de Jackson e Spielberg assumirá a produção. A terceira parte ainda não tem detalhes. O filme de animação será rodado utilizando a tecnologia de captura de movimentos que Jackson utilizou em Senhor dos Anéis e King Kong e da tecnologia de filmagens em 3D que James Cameron utilizou para filmar “Avatar”.
A sinopse é bem simples. Tintim compra a réplica de um galeão para presentear o Capitão Haddock. Haddock encontra uma carta de um velho ancestral narrando seu encontro com temível pirata Rackham, o Terrível. Na carta, descobrimos que o ancestral de Haddock foge de Rackahm e afunda o Licorne com todo o tesouro acumulado nas pilhagens do pirata. Ele divide o mapa onde se encontra o navio em três e esconde os pedaços justamente em três réplicas do galeão. Tintim resolve então ir atrás desses mapas e encontrar o Licorne e seu tesouro.
Espero ansiosamente pelo filme, que deve estrear aqui no Brasil em janeiro do ano que vem. Para quem quiser, aconselho definitivamente ir atrás dos quadrinhos e da série animada.
Mais detalhes: http://omelete.uol.com.br/tintim/
Imagens retiradas do site http://www.cinepop.com.br
