
Todos que freqüentam esse lugar enfadonho sabem que eu detesto falar sobre política. Não que eu considere o assunto menos importante. Mas eu acredito que a política, discutida de maneira leviana (como é feito na grande parte dos meios de comunicação em massa), deixa de ser uma ferramenta para debate e passa a ser um jogo de ideologias baratas e um pouco de sensacionalismo. E por causa disso, eu prefiro uma conversa leve, sobre entretenimento, cultura e afins. Por isso que cinema, música, quadrinhos e livros aparecem bem mais em minhas escassas linhas do que qualquer marketing político.
Muita gente vai dizer que é por causa de pessoas como eu que a política brasileira está um caos. Que o meu desinteressa é o culpado. Discordo. Preocupo-me com o futuro do meu país, tanto quanto ou ainda mais que qualquer demagogo metido a levantar bandeira de partidos por um pensamento fraco e sem conteúdo. Acontece que eu sempre fui um homem de idéias e não de ações. É claro que para mudar o mundo, precisamos arregaças as mangas e por na mão na massa. Mas antes disso, é preciso um plano de fundo pensante para suas ações. Não adianta simplesmente querer mudar. É preciso saber o que fazer e como fazer.
Ao conversar comigo sobre o tema, vão reparar que eu sempre simpatizei com a direita brasileira. Gosto do PSDB e acho que os homens de política têm a cara dos tucanos. Tai o Serra e o Alckimin. Dois exemplos que eu considero bons políticos. Porém, nesse último ano, eu me apeguei aos ideais do PT. Eu ajudei na campanha salarial do sindicato esse ano. Lutei por meus direitos. Fiz greve e piquete. E conversei com pessoas que faziam a mesma coisa antes mesmo de eu começar a andar. Agora eu lhes explico o motivo de eu abrir mão do meu pensamento e resolver abrir o espaço para esse tipo de discussão. É por puro e simples medo. Sim, eu estou com medo. Pois esses dois partidos, os dois maiores símbolos da política nacional e que juntos totalizam a maioria do Congresso Nacional se aliaram num circo que, para alguém como eu, tem repercussão enorme.
Eu não vou resumir a história, portanto se já estiver cansado ou se não estiver com paciência, nem continue.
Há alguns anos, o Banespa estava falindo. Para remediar a situação, o governo do saudoso Mário Covas, se minha mente não me engana, resolveu privatizar o banco público. Houve uma enorme intervenção. A situação do Banespa foi sanada e então o banco foi vendido ao grupo espanhol Santander. Todo o funcionalismo público, que até então recebia seus proventos pelo Banespa, teve que transferir suas contas-corrente para o Banco Nossa Caixa. Eu entrei na Nossa Caixa em 2006. Em meio ao maior movimento da instituição. Abríamos cerca de 100 a 200 contas por dia. Foi um trabalho pesado e com uma forte concorrência (que em certos momentos se mostrou totalmente desleal). Qual não foi nossa surpresa quando o governador de São Paulo, José Serra, resolveu que essa folha de pagamento não poderia estar nas mãos da Nossa Caixa de graça. Foi-nos cobrado algo em torno de 5.000.000.000,00 (sim, isso mesmo, cinco bilhões de reais). O que acontece quando um banco se vê com um prejuízo desses. Quem respondeu “faz seus empregados trabalharem mais” acertou.
Agora, passados dois anos desde que entrei no banco, nova bomba. O presidente do Banco do Brasil declara a vontade de comprar a Nossa Caixa. Depois da bomba, outra. O nosso excelentíssimo presidente da Republica, Luiz Inácio da Silva, assina uma Medida Provisória, autorizando o BB e a CEF a comprarem ativos de outros bancos, sem a necessidade sequer de uma licitação. Tudo bem que brasileiro aceita algumas coisas calado, mas isso é me chamar de idiota na cara dura. Alvoroço para cá, alvoroço para lá e nada de novo surgia. Até chegar o dia 19 de novembro. Véspera de feriado. Ninguém sequer pensando em política. Então a confirmação. Pela pechincha de 5.400.000.000,00 de reais, o BB adquire a Nossa Caixa.
“Em meio a críticas do próprio partido à venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva queixou-se ontem das afirmações de que a operação favorece interesses políticos do governador José Serra, um dos possíveis nomes do PSDB à sucessão presidencial. Segundo Lula, o País sai ganhando com a operação, por passar a contar com um banco público "mais sólido, mais competitivo, com muito mais agências e muito mais dinheiro para irrigar o crédito". "O que querem mais do que isso?" fonte: Estadão
Eu quero mais transparência. Porque dizer que a Medida Provisória servia apenas para salvaguardar um possível rombo devido a crise financeira que paira sobre o mundo é me chamar de idiota.
O governador de São Paulo, José Serra, defendeu nesta quarta feira, 20, o modelo de venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil como "o melhor" para o governo do Estado. Ao ser questionado se um leilão não poderia resultar em um valor maior que os R$ 5,386 bilhões oferecidos pelo BB, uma vez que a fusão entre Itaú e Unibanco gerou uma corrida dos bancos para alcançar o novo grupo, Serra respondeu que "do ponto de vista do Estado, o melhor era vender ao Banco do Brasil, em todos os sentidos".
Serra disse também que nunca foi procurado pelo Bradesco para falar sobre a venda da Nossa Caixa e considerou o valor da venda "um bom preço". Para ele, a venda significa a priorização de investimentos na área social. "Estamos deixando de ter um banco comercial para dar prioridade a outros investimentos", disse o governador. Serra afirmou que nunca foi favorável à idéia de que governos estaduais tenham bancos comerciais.
Dos R$ 5,386 bilhões que o Estado receberá do BB, R$ 1 bilhão será destinado à criação da agência de fomento do Estado de São Paulo, que vai financiar investimentos para pequenas e médias empresas. O órgão terá capital fechado, uma estrutura enxuta, com 50 funcionários, e o contato com os clientes será feito por meio do BB. Segundo ele, os outros cerca de R$ 4 bilhões terão como prioridade a infra-estrutura de transportes, com o foco na expansão do metrô, no aumento da qualidade dos trens metropolitanos, que serão transformados em metrô de superfície, em estradas vicinais e na construção de acessos rodoviários aos municípios. Fonte: Estadão
Guardem bem as palavras do Lula e do Serra. Eu estou morrendo de medo de ser mandado embora. Não queria isso agora. Mas estou aceitando, desde que as promessas elencadas sejam concretizadas. Ai sim, eu saio de cabeça erguida. Sabendo que me emprego valeu pro Serra cerca de 10 bilhões. No fim eu to podendo.
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