segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Trabalho Voluntário no Currículo

Em 2001 a ONU instituiu o Ano Internacional do Voluntariado, o que fez com que o trabalho voluntário despertasse a atenção de profissionais, empresas e consumidores à responsabilidade social.Pesquisas como as feitas pelo Instituto Ethos e pelo Jornal Valor Econômico revelam que uma parte dos consumidores - 22% - já optaram ou deixaram de optar por empresas (ou produtos) em razão da sua responsabilidade social.Na União Européia, em 2009, um novo modelo de currículo foi lançado, no qual o trabalho voluntário o integra, para que assim as características pessoais do candidato sejam avaliadas - capacidade de entrega a uma causa, domínio de línguas estrangeiras, dinâmica e mobilidade, por exemplo.No Brasil, a importância dado ao trabalho voluntário realizado pelo candidato a uma vaga varia de acordo com a cultura da empresa, ou seja, esse item é avaliado positivamente por empresa que consideram esses valores.


Apesar dos bons olhos sobre o voluntariado, a prática desse tipo de trabalho ainda não é considerada um fator de desempate entre candidatos, podendo até chamar a atenção do empregador, mas não sendo um item decisivo.Ainda que não seja um critério de seleção, a prática voluntária traz benefícios ao candidato e pode contar como experiência profissional. Algumas empresas já incentivam internamente esse tipo de atividade entre os funcionários e são essas que têm possibilidade de dar maior peso para a prática no processo seletivo.Com essa nova perspectiva, além do cumprimento com a responsabilidade, o voluntário pode ser "melhor visto" em entrevistas de seleção e ser beneficiado como aluno enriquecendo seu currículo, já que algumas Faculdades as atividades voluntárias desenvolvidas por pelo menos seis meses geram um certificado e podem contar como horas de estágio, obrigatório para alguns cursos de graduação, como é o que acontece na Faculdade Privada de Salvador, na Bahia, onde os alunos dão aulas gratuitas a jovens carentes da uma comunidade na capital baiana.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Levanta-se e Faça

Entre 16 e 18 de Outubro de 2009, pessoas de todo o mundo irão se levantar em manifestações para que governos, empresas e toda a sociedade, juntos, mantenham suas promessas, se comprometam e dividam a responsabilidade de alcançarmos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) até 2015. E eu, junto com outras centenas de blogueiros no brasil, estamos apoaindo a campanha e auxiliando na divulgação.

E você, já fez sua parte para melhorar o mundo?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A MP da Madrugada

Breve introdução do que será minha monografia. Se Deus quiser, apresento ano que vem =)


Quando o sistema financeiro se encontra em colapso é natural que decisões sejam tomadas rapidamente a fim de estagnar as perdas e diminuir as conseqüências. No dia 22 de Outubro, a Medida Provisória 443 era publicada no Diário Oficial, pegando de surpresa a maior parte do Congresso Nacional. Num movimento estratégico, o Presidente da República e o Ministro da Fazenda, sem informar deputados ou senadores, editaram e publicaram a MP supracitada. Os ânimos parlamentares se acirraram. O senador Jarbas Vasconcelos foi quem melhor sintetizou as criticas ao dizer que o governo havia inventado esse novo tipo de medida provisória, a “MP da madrugada”. Além do fato dos parlamentares ficarem sabendo da MP através da mídia, a MP percorria outros caminhos conflitantes. O setor bancário privado alegava que a gama de poderes dada aos bancos federais enrijecia sua movimentação. Bem como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, bancos como Bradesco e o Grupo Santander também tinham interesse em adquirir outros bancos públicos.

Guido Mantega e Henrique Meirelles, em sua EM Interministral, elencam que os motivos que o levaram a criar a Medida Provisória foram de que “a forte retração internacional do crédito levou o Governo Federal a adotar medidas para expandir a liquidez do mercado interbancário e incentivar a compra de carteiras de crédito de instituições bancárias de pequeno e médio porte”[1]. Para tanto, como os bancos federais possuíam inúmeras restrições em sua atuação, uma possível consolidação de um sistema financeiro nacional era dificilmente possível.
Ainda na EM Interministral, fala-se que “o BB e a CEF ficam autorizadas a procederem à incorporação societária, incorporação de ações, aquisição e alienação de controle acionário” e, além disso, “quando do caso de instituições financeiras integrantes da Administração pública indireta da União, dos Estados e do Distrito Federal, a operação de reorganização societária poderá ser realizada com dispensa de licitação”.

Na visão do governo, esses instrumentos são essenciais para que os bancos públicos possam crescer durante o cenário atual. As instituições financeiras privadas reclamam justificadamente. Todas têm liberdade de iniciativa e todas têm um mínimo de interessa na compra de outros bancos. A licitação seria o meio mais correto para a venda de bancos públicos. Dando oportunidade de todos ofertarem. Além disso, um processo desses, com certeza conseguiria que o valor pago fosse o mais vantajoso para o Estado.
Mesmo com as controvérsias, a MP seguiu rumo normal pelo Congresso Nacional, sendo aprovada em ambas as casas. No dia 05 de março de 2009, o presidente da república sancionou a lei que garantia ao BB e a CEF os poderes supracitados. O Ministro da Fazenda voltou a insistir que a lei possibilitaria um fortalecimento da instituição financeira federal e do mercado de crédito. Isso traria vantagens competitivas para o consumidor e iria favorecer o crédito no País.

Mas o que não fica claro é se o movimento de consolidação bancária, que fica ainda mais consistente depois da MP, não poderá representar um problema futuro à população. “Um aumento da participação estatal na concessão de crédito pode vir a diminuir a oferta de parceiros para negócios e elevar o poder dos Oligopólios. Num cenário desses, os brasileiros deverão pagar muito mais pelos serviços de Instituições Financeiras”[2]. A diminuição da competição no mercado de crédito e de serviços financeiros pode sim ocorrer. E será coerente dizermos que um dos pilares da economia moderna, a Livre Concorrência, pode ser prejudicada a fim de minimizar um possível colapso no Sistema Financeiro Nacional?



[1] EM Interministral nº00175/2008 – MF/MP/BCB de 21 de Outubro de 2008
[2] “O ônus e o bônus da consolidação bancária”, Igor Bareboim. Trecho de matéria publica no Jornal do Brasil/RJ, em 23 de Novembro de 2008.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Medo do Tempo


O homem tem medo do tempo. Daquele tempo sem passado, presente ou futuro. Do tempo absoluto. Tem medo de seu caráter eterno. Pois ao se relacionar com o tempo, o homem se sente finito. E em sua finitude, lança mão de estratagemas que lhe permitam pelo menos entender sua função no tempo.
Em sua finitude, em sua incapacidade de vislumbrar um possível domínio sobre o tempo, o homem se volta para o oculto, algo misterioso que desvende os arcanos do tempo, desse tempo que, segundo o homem, varre a eternidade inteira com sua presença implacável e despótica.
E o homem, muitas vezes, encontra sua resposta, embora tênue, nebulosa, quando não incompreensível e caótica. Mas é uma resposta. E essas respostas esmagam o mais profundo âmago do ser humano. Mas ainda assim é uma resposta. E então é possível perceber o quão inútil se torna a batalha contra o maior vilão da humanidade.
Para o homem, finito e angustiado, o tempo se torna sobrenatural, cujos segredos são guardados por seres superiores. E sentindo a gota momentânea do infinito, o homem se refugia nos mistérios e no incógnito. Nos caminhos e descaminhos de um eterno que não consegue entender. E o tempo torna-se enfim algo que jamais será entendido pela mente humana. Pois é algo grande demais para poder ser compreendido.
Assim, resta ao homem apenas registrar aquela fração do tempo vivida por ele. Colocar no papel, descrevendo tudo que foi presenciado ou tirando fotografias e guardando o momento ali registrado para sempre. E assim, surge a História. A tentativa do homem de imortalizar-se. E é isso que eu faço quando perco meu tempo na frente de um monitor, colocando as palavras ordenadamente em frases e parágrafos. Registro minha história e meus sentimentos e tento me imortalizar.
Eu tinha me enfraquecido e aquela sensação de derrota havia me acometido de maneira nova. Estava me sufocando, a ponto de não permitir que eu escrevesse. Mas ao ler um texto do Fernando Sabino, me identifiquei com aquelas palavras e me senti bem novamente. Pois o que ele diz reflete o que há dentro de mim, e me dá resposta de minha existência nessa eternidade.
Ele diz: “E isso porque pretendo ser apenas um escritor, ou seja, um homem que vive para escrever e que não raro tem de escrever para viver. São tais razões do coração que, já dizia Pascal, tem razões que a própria razão desconhece.”.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Desabafo...

Senta que lá vem história...

Todos que freqüentam esse lugar enfadonho sabem que eu detesto falar sobre política. Não que eu considere o assunto menos importante. Mas eu acredito que a política, discutida de maneira leviana (como é feito na grande parte dos meios de comunicação em massa), deixa de ser uma ferramenta para debate e passa a ser um jogo de ideologias baratas e um pouco de sensacionalismo. E por causa disso, eu prefiro uma conversa leve, sobre entretenimento, cultura e afins. Por isso que cinema, música, quadrinhos e livros aparecem bem mais em minhas escassas linhas do que qualquer marketing político.
Muita gente vai dizer que é por causa de pessoas como eu que a política brasileira está um caos. Que o meu desinteressa é o culpado. Discordo. Preocupo-me com o futuro do meu país, tanto quanto ou ainda mais que qualquer demagogo metido a levantar bandeira de partidos por um pensamento fraco e sem conteúdo. Acontece que eu sempre fui um homem de idéias e não de ações. É claro que para mudar o mundo, precisamos arregaças as mangas e por na mão na massa. Mas antes disso, é preciso um plano de fundo pensante para suas ações. Não adianta simplesmente querer mudar. É preciso saber o que fazer e como fazer.

Ao conversar comigo sobre o tema, vão reparar que eu sempre simpatizei com a direita brasileira. Gosto do PSDB e acho que os homens de política têm a cara dos tucanos. Tai o Serra e o Alckimin. Dois exemplos que eu considero bons políticos. Porém, nesse último ano, eu me apeguei aos ideais do PT. Eu ajudei na campanha salarial do sindicato esse ano. Lutei por meus direitos. Fiz greve e piquete. E conversei com pessoas que faziam a mesma coisa antes mesmo de eu começar a andar. Agora eu lhes explico o motivo de eu abrir mão do meu pensamento e resolver abrir o espaço para esse tipo de discussão. É por puro e simples medo. Sim, eu estou com medo. Pois esses dois partidos, os dois maiores símbolos da política nacional e que juntos totalizam a maioria do Congresso Nacional se aliaram num circo que, para alguém como eu, tem repercussão enorme.

Eu não vou resumir a história, portanto se já estiver cansado ou se não estiver com paciência, nem continue.

Há alguns anos, o Banespa estava falindo. Para remediar a situação, o governo do saudoso Mário Covas, se minha mente não me engana, resolveu privatizar o banco público. Houve uma enorme intervenção. A situação do Banespa foi sanada e então o banco foi vendido ao grupo espanhol Santander. Todo o funcionalismo público, que até então recebia seus proventos pelo Banespa, teve que transferir suas contas-corrente para o Banco Nossa Caixa. Eu entrei na Nossa Caixa em 2006. Em meio ao maior movimento da instituição. Abríamos cerca de 100 a 200 contas por dia. Foi um trabalho pesado e com uma forte concorrência (que em certos momentos se mostrou totalmente desleal). Qual não foi nossa surpresa quando o governador de São Paulo, José Serra, resolveu que essa folha de pagamento não poderia estar nas mãos da Nossa Caixa de graça. Foi-nos cobrado algo em torno de 5.000.000.000,00 (sim, isso mesmo, cinco bilhões de reais). O que acontece quando um banco se vê com um prejuízo desses. Quem respondeu “faz seus empregados trabalharem mais” acertou.

Agora, passados dois anos desde que entrei no banco, nova bomba. O presidente do Banco do Brasil declara a vontade de comprar a Nossa Caixa. Depois da bomba, outra. O nosso excelentíssimo presidente da Republica, Luiz Inácio da Silva, assina uma Medida Provisória, autorizando o BB e a CEF a comprarem ativos de outros bancos, sem a necessidade sequer de uma licitação. Tudo bem que brasileiro aceita algumas coisas calado, mas isso é me chamar de idiota na cara dura. Alvoroço para cá, alvoroço para lá e nada de novo surgia. Até chegar o dia 19 de novembro. Véspera de feriado. Ninguém sequer pensando em política. Então a confirmação. Pela pechincha de 5.400.000.000,00 de reais, o BB adquire a Nossa Caixa.
“Em meio a críticas do próprio partido à venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva queixou-se ontem das afirmações de que a operação favorece interesses políticos do governador José Serra, um dos possíveis nomes do PSDB à sucessão presidencial. Segundo Lula, o País sai ganhando com a operação, por passar a contar com um banco público "mais sólido, mais competitivo, com muito mais agências e muito mais dinheiro para irrigar o crédito". "O que querem mais do que isso?" fonte: Estadão
Eu quero mais transparência. Porque dizer que a Medida Provisória servia apenas para salvaguardar um possível rombo devido a crise financeira que paira sobre o mundo é me chamar de idiota.

O governador de São Paulo, José Serra, defendeu nesta quarta feira, 20, o modelo de venda da Nossa Caixa para o Banco do Brasil como "o melhor" para o governo do Estado. Ao ser questionado se um leilão não poderia resultar em um valor maior que os R$ 5,386 bilhões oferecidos pelo BB, uma vez que a fusão entre Itaú e Unibanco gerou uma corrida dos bancos para alcançar o novo grupo, Serra respondeu que "do ponto de vista do Estado, o melhor era vender ao Banco do Brasil, em todos os sentidos".
Serra disse também que nunca foi procurado pelo Bradesco para falar sobre a venda da Nossa Caixa e considerou o valor da venda "um bom preço". Para ele, a venda significa a priorização de investimentos na área social. "Estamos deixando de ter um banco comercial para dar prioridade a outros investimentos", disse o governador. Serra afirmou que nunca foi favorável à idéia de que governos estaduais tenham bancos comerciais.

Dos R$ 5,386 bilhões que o Estado receberá do BB, R$ 1 bilhão será destinado à criação da agência de fomento do Estado de São Paulo, que vai financiar investimentos para pequenas e médias empresas. O órgão terá capital fechado, uma estrutura enxuta, com 50 funcionários, e o contato com os clientes será feito por meio do BB. Segundo ele, os outros cerca de R$ 4 bilhões terão como prioridade a infra-estrutura de transportes, com o foco na expansão do metrô, no aumento da qualidade dos trens metropolitanos, que serão transformados em metrô de superfície, em estradas vicinais e na construção de acessos rodoviários aos municípios. Fonte: Estadão

Guardem bem as palavras do Lula e do Serra. Eu estou morrendo de medo de ser mandado embora. Não queria isso agora. Mas estou aceitando, desde que as promessas elencadas sejam concretizadas. Ai sim, eu saio de cabeça erguida. Sabendo que me emprego valeu pro Serra cerca de 10 bilhões. No fim eu to podendo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Estudo Sociológico

Estudo realizado numa experiência única... uma das melhores que eu já vivi! Enjoy!



Acordei meio tarde, como sempre faço quando esqueço que tenho reunião no banco. Tomei o banho mais rápido da minha vida, coloquei a primeira camisa que vi no guarda-roupa, engoli um pedaço de pão e um copo de suco e quando menos percebi já estava sentando no banco do ônibus. O caminho da minha casa até o trabalho demora aproximadamente quinze minutos. É um tempo extremamente curto, não me permitindo fazer nada de interessante. Vou olhando as paisagens pela janela. As pessoas correndo apressadas para seus trabalhos. Estranhos que têm os mesmos problemas, as mesmas angústias, os mesmos desejos e os mesmos medos que eu.
Eu nunca tive pretensões de ser um psicólogo. Muito menos teria coragem para tentar desbravar os mistérios da mente humana. Somos animais altamente avançados. E este desejo de compreender nossa psique é demais para os meus conhecimentos escassos. Porém eu tenho meu meio, onde analiso e penso as pessoas. Não de maneira individual. Eu tenho um que de sociólogo. Gosto de estudar o homem em sociedade. Acredito que por ser um pouco anti-social, adquiri essa vontade de sabre o porque da associação. Qual a razão e quais os motivos que levam o ser humano a se relacionar com outros de sua espécie. E por último, quando surgiu o que chamamos de estado de convivência.
Como toda ciência, a sociologia tem como principal método de pesquisa a observação. Deve ser por isso que eu gosto de olhar e analisar o comportamento das pessoas em situações adversas. Como é possível num grupo restrito, uma mesma cena provocar sentimentos tão diferentes. Vou relatar a minha última (e única) pesquisa. Confesso que o estudo aconteceu por coincidência e eu não esperava que acontecesse. Mesmo por que eu acabei fazendo parte da experiência, como mais uma cobaia.
Primeiramente, embora eu estude a sociedade, não posso me curvar sobre todas as pessoas do mundo. Por isso, analiso um pequeno grupo e os dados obtidos eu generalizo. Não é o método ideal, mas para um iniciante como eu, é o suficiente. No meu caso especifico, eu investiguei um grupo de quatorze pessoas isoladas num sitio. Longe da civilização e de outros indivíduos (sei que parece só mais um reality show, mas não é).
Bom, essas pessoas decidiram por consenso ficar naquele local. No momento em que propuseram a idéia e todos aceitaram, percebemos a primeira noção da sociedade: o Contrato Social. Eles se prontificaram e ficar juntos e trabalharem para que isso desse certo. Eles não queriam ficar sozinhos. Conforme John Locke, foi dessa mesma maneira que o que conhecemos hoje como Estado Social teve inicio. Porém, esse grupo fez escolhas diferentes, preferindo não adotar uma soberania. Ali, todos eram livres para fazer o que quiser. Para tanto, para existir a convivência, deveriam se unir.
Eles imaginavam uma sociedade perfeita, assim como Thomas Moore fez em seu “A Utopia”. Utopia é uma ilha onde reina a igualdade e a concórdia. Todos têm a mesma condição de vida. Uma vida simples, sem luxo e onde todos trabalham. Moore expressa em sua obra os ideais de vida moderada e igualitária, semelhante aos praticados pelos monges nos mosteiros pré-renascentistas. Era dessa maneira que o grupo se imaginava.
E tudo corria bem, até que deparamos com a individualidade humana. Acredito que este ponto seria explicado de maneira mais contundente por alguém com conhecimentos mais vastos da mente. A minha teoria é a mesma de Nietzschie: o homem é egoísta por natureza. Cada um preza o seu. Foi por este fio condutor que a propriedade privada foi criada. Marx lutou bravamente contra esse ideal capitalista. Bom, continuemos em nossa experiência.
Em determinado ponto da mesma, presenciamos a transformação da nossa sociedade em algo menor. As discussões esquentaram e houve a transição de Estado igualitário ao que os estudiosos chamam de “Vida Nua”. A Vida Nua é exatamente a ausência de regras, onde todos pensam em si. A sociedade não existe mais e o ser humano não mais convive com seus iguais. Bom, já que estamos falando da Vida Nua, vamos discutir um pouco sobre o Homo Sacer. Como minha professora me disse certa vez, “Homo Sacer é o cara que se fode”. Sempre que há esse tipo de ruptura, elegem um Homo Sacer, que seria algo como a pessoa que será sacrificada pelo bem maior. Este foi outro fato interessante na minha experiência: no caso daquele pequeno grupo, não houve um sacrifício. Isso colaborou bastante no final.
A vida em sociedade não é fácil mesmo, e ao idealizarmos aquela vida perfeita, fomos iludidos. As coisas tendiam a ficarem pesadas. E Ficaram mesmo. A abstinência de alguns, os mal entendidos, as palavras soltas no ar e a falta de alguns recursos essenciais aceleraram o desgaste. Por isso que eu guardo em minha cabeça a idéia de que num futuro não muito longínquo, com a escassez dos recursos naturais, o homem começará a sair da vida em sociedade e passaremos para a Vida Nua de maneira mais drástica.
Segundo Durkheim, para existir vida social, deve haver a coerção social, ou seja, a força exercida sobre os indivíduos, levando-os a se conformar ás regras do local onde vivem, independente de sua vontade e escolha. Essa força se demonstra quando o sujeito adota determinado idioma, se submete a determinado tipo de formação familiar ou quando está subordinado a determinado código de leis. E isso faltou em meus experimentos naquele grupo. Por isso que embora aparentemos ter formado uma sociedade, o que de fato ocorreu foi tão somente um ajuntamento. De pessoas que queriam realmente fugir das regras de convivência e quem sabe, sentir-se livre.
Sem nos perdermos, falemos agora sobre o organismo em adaptação. Depois dos acontecimentos supracitados, nos deparamos com uma das máximas de Durkheim: acontecimentos ruins servem à sociedade, quando destes, surgirem a adaptação e sua decorrente evolução. Toda sua teoria pretende demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independem daquilo que pensa e faz cada individuo em particular. È nesse ponto onde minhas idéias diferem das dele. A sociedade é o convívio dos sujeitos e suas individualidades. É preciso aprender a aceitar os pensamentos particulares de cada um.
E foi isso que pôs fim ao meu tão grandioso experimento. As pessoas evoluíram. Criaram-se novos enlaces. A amizade e vontade de viver naquele lugar idealizado poucos dias antes voltavam à tona. A ação social pregada por Weber, onde o homem retomava seu lugar de destaque no estudo sociológico vinha aparecendo. Não mais nos sentíamos obrigados a conviver. Estávamos com vontade de fazer isso. E a vontade é a marca da superação. Superação de todos os problemas encontrados no caminho do nosso tão belo sonho. Sonho?
Acordei desse pensamento um pouco tarde. Já tinha passado dois pontos de onde deveria ter descido. Realmente o caminho era curto demais para uma investigação tão longa. E como sempre, vou chegar atrasado novamente. Mas naquela agência há soberania e eu me comprometi a seguir certas normas. Ali sim, dentro daquelas quatro paredes uma sociedade existe. A minha viagem (ou experiência, como preferirem) foi uma Utopia, um sonho que se tornou realidade. Agora é melhor eu me calar que a gerente me viu chegando. Dessa vez serei eu a ser o Homo Sacer.

Sei que deve ter ficado cansativo. Tem muitos detalhes e apliquei muita teoria num espaço muito curto. Até eu, que já conhecia todas as correntes de pensamento e seus idealizadores, me perdi. Mas espero que tenham gostado, por que sinceramente, adorei escrever.




quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Noites em Claro

Já passava das duas da madrugada e nem sinal de cansaço. A escuridão do quarto era quebrada pela luz opaca do meu velho monitor ligado. Os ataques de insônia eram constantes, coisa bimestral. E meu remédio perfeito para essas noites em claro era escrever. Escrever. Uma das minhas poucas paixões. Tinha acabado de comprar o CD da volta dos Mutantes e já faziam três dias que eu não escutava outra coisa.
Arrumei o cabelo que insistia em cair no meu olho e fiquei analisando aquele aglomerado de letras e pontos gráficos na minha frente. A cada toque do meu dedo, palavras iam se formando e traduzindo as milhares de imagens que atormentavam minha mente. O dia tinha sido, como sempre, uma merda. Eu nunca gostei muito do meu trabalho (mas não posso reclamar, tendo meu salário ao fim de 30 dias, está perfeito). Mas o problema é que nunca nessa vida eu me acostumaria a trabalhar com público.
Sempre fui uma pessoa fechada, quieta e com poucos amigos. Podem me chamar de anti-social. Eu sou mesmo. Não gosto de muitas pessoas ao meu redor. Odeio lugares lotados e não suporto os outros me olhando. E resolvi logo trabalhar num banco, grande idéia. Paro de pensar nisso um momento. Tempo suficiente para acender um cigarro. Eu volto ao devaneio a cada tragada.
Escrever me faz viajar. Sair do lugar comum e me colocar em situações mais adversas, situações estas que possivelmente eu nunca teria coragem para me colocar. Já disseram que a cada dia eu estou ficando mais doido, o que me faz pensar: Como discutir com estas pessoas se eu mesmo me sinto mais louco a cada momento da minha vida. Mas por que eu vim aqui mesmo. Tenho certeza de que não foi para ficar falando de mim. Sim, lembrei.
Quando cheguei em casa hoje, depois de conversar com alguns amigos e ver as noticias que me interessam, pensei em escrever sobre alguns assuntos que ouço por aí. Uma coisa meu emprego me ajudou. Por ver pessoas diferentes a cada minuto, pude começar a analisar o comportamento humano. Numa fila de banco, aqueles que conversam o fazem por dois motivos. Ou por não ter amigos ou simplesmente porque está frustrado e precisa descarregar isso. Mas será que não há lugar melhor para fazer isso? É só eu abrir a boca num cordial “Bom-dia” para me encherem com suas idéias sócio-politicas pré-formadas pela mídia tendenciosa que temos.
Merda. Ficar tanto tempo na frente do computador chega a dar dor de cabeça. Me levanto devagar e saio do quarto. Chego no banheiro com certa dificuldade. Olho no espelho e tenho uma sensação de Dejá Vu. Acho que já escrevi alguma coisa assim. Deixa pra lá. Molho o rosto com um pouco de água fria e percebo que esta será uma noite longa. Volto pro quarto e o silêncio agora impera no local. O CD acabou pela vigésima vez. Como a preguiça é grande e como não vou suportar ouvir alguém cantando ‘please, Mr sun don´t take away my Virginia” de novo, prefiro deixar o rádio desligado.
Sento de novo na frente da tela cheia de palavras, mas não consigo digitar mais nada. Olho para os lados e vejo um livro antigo. Fazia tempo que não o abria. È um estudo sobre a obra de Webber. Alguém ai sabe quem foi Webber (espero, pelo bem da humanidade, que digam sim). Desculpem o linguajar, mas Webber foi um puta pensador, um sociólogo fudido. Suas idéas perduraram por anos a fio. Ainda hoje ele é estudado nas aulas de sociologia e filosofia. Webber dizia que conforme a sociedade avança, a razão humana se fragmenta.
Concordo com ele. Parece que com o avanço de certas tecnologias, o homem padrão (para não generalizar) parou de pensar um pouco. Logo, as máquinas estarão fazendo tudo para o homem, enquanto este poderá desfrutar uma cerveja gelada assistindo ao futebol no domingo à tarde. Mas quem sou eu para falar qualquer coisa? Sou um nada. Num mundo tão grande, é pretensioso da minha parte achar que minhas palavras farão alguma diferença.
Para falar a verdade, acredito que minha própria existência não faz diferença nenhuma à ninguém. Olho pela janela do quarto e vejo as luzes da rua, dez andares abaixo. Minha vida parece tão insignificante aqui de cima. A dor de cabeça ainda não passou, mas agora não importa mais. Essa é minha despedida, e meu legado eu levo comigo ao inferno. São meus pensamentos e minhas lembranças. Seu rosto sorrindo alegremente. Isso era tudo que eu tinha e disso eu não abro mão jamais. Algum dia a gente se encontra novamente. Te amo! Adeus.
Não vejo mais nada. Sinto apenas o vento no meu rosto, fazendo meu cabelo dançar freneticamente. Gritos de “meu Deus” ecoam pelo ar. Por um momento me sinto livre. E eu vejo o rosto dela e me pego cantando, please, Mr Sun, don´t take away my Virginia.



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Domingo

Mais um texto antigo... escrito num domingo qualquer, sem outra coisa para fazer e esperando pela inicio entediante de mais uma semana!



Domingo. Já passam das 23 horas. Estou olhando pro celular e pensando seriamente que eu preciso dormir. Meu irmão está ouvindo música no computador e na TV está passando um filme antigo (acho que vocês já devem ter assistido, se chama “A Rocha”. Nenhum clássico da 7ª arte, mas um bom divertimento numa hora vaga). No chão do quarto há dezenas de Hqs espalhadas. Entre elas uma me chama atenção. Uma edição de Planetary, do Warren Ellis (se alguém não sabe do que estou falando, uma dica: corra atrás de alguma. Não irão se arrepender).
Sem entrar em muitos detalhes, a história elabora uma teoria interessante sobre como o universo em que vivemos, embora seja cortado por centenas de mundos paralelos, é formado basicamente de informação (e não matéria e energia). Por causa disso, e não pergunte porque, nos baseamos apenas em uma superfície. Tentando esclarecer (tentando mesmo, porque eu não entendi), o universo seria bidimensional e tudo a nossa volta seria uma espécie de holograma.
Pra mim, isso não fez sentindo nenhum. Mas me peguei a pensar nessa coisa de bidimensionalidade. Nesse ponto, eu concordo com ele. Todos nós temos duas dimensões. Mas de maneira figurada. Ninguém é sempre a mesma pessoa. Todos nós fingimos, inventamos, criamos mais de uma pessoa dentro de nós. E exteriorizamos essas pessoas em momentos adequados. Não é uma segunda personalidade, porque por dentro somos um só. Essa outra dimensão só aparece no plano físico, no que mostramos para os outros. E que atire a primeira pedra àquele que é sincero e natural, todos os segundos da vida.
Eu mesmo levo duas vidas distintas. Um lado sério, trabalhador e estudioso, que pensa no futuro e faz tudo meticulosamente calculado (como numa boa partida de sinuca). E tem esse outro lado. Um lado “porra loka”, que não ta nem aí com nada. Que bebe horrores, que fuma, que sai durante a madrugada sem rumo, andando pelas ruas desertas da cidade ou as passa num boteco de esquina (esse seria o meu eu-lírico. Acho que o nome dele é Tuf). O complicado é que ambas as partes teimam em se confundir, me causando sérias dores de cabeça.
Não sei se posso consertar isso. Sei também que não adianta perguntar, porque ninguém vai saber me responder como faço para remediar tal situação. Enquanto eu não enlouqueço, vou levando minha vida desse jeito. Eu até gosto pra dizer a verdade. Vou assistindo meus filmes, lendo meus livros, meus quadrinhos e pensando em como eu preciso dormir. O Tuf não quer, mas infelizmente, amanhã de manhã, o Guilherme precisa trabalhar.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Alma

Um dos primeiros contos que escrevi seriamente. Enviei para um concurso de contos da ABL, conseguindo uma 15ª posição, com muito louvor. Espero que apreciem!



Paulo abriu os olhos devagar. Uma névoa cobria seu olhar e inúmeras sombras se formavam ao seu redor. A luz do sol penetrava pelas frestas da janela, iluminando parte do quarto. Sentou-se e por um momento permaneceu imóvel, experimentando os últimos resquícios de seu sonho. O ruído dos carros afastavam-no cada vez mais do mundo imaginário. Levantou-se vagarosamente e se dirigiu, ainda cambaleando de sono, para o banheiro.
Não se sentia muito bem naquela manhã. Principalmente por saber o que lhe aguardava. Um dia tedioso, como todos os que vinha passando no último mês. Olhava para o espelho, mas surpreendentemente não se via. Ali, parado diante dele, estava uma sombra, um fantasma com milhares de anos. Sentia-se novamente impotente perante o tempo. E como todas as manhãs chegou a uma conclusão, estava velho.
Não era saudosista, mas de vez em quando se pegava pensando no passado. Pensando em dias que passou, nas pessoas que conheceu e nos beijos que trocou. Pareciam tão distantes esses tempos. E não sabia porque, mas esse sentimento de saudade não ajudava muito com sua depressão. O devaneio passou com um bom esguicho de água gelada no rosto.
A casa estava vazia e o silêncio era quebrado apenas pelos barulhos da rua. Voltou para o quarto e abriu a janela. Uma leve brisa fria atingiu seu corpo, renovando um pouco sua alma idosa. A vista não era maravilhosa, mas era reconfortante ver o mundo em funcionamento. Uma fina garoa caia sobre a cidade, limpando as impurezas do mundo. As pessoas corriam, apressadas em chegar aos seus trabalhos o mais seco possível e é justamente quando via isso que ficava feliz por ter decidido não ir trabalhar naquele dia.
Olhou para o relógio que já marcava 8 horas da manhã. Tornou a olhar pela janela, respirou profundamente e virou-se, deixando para trás a chuva, as pessoas, o som das gotas caindo nas poças, o farfalhar das folhas das árvores mais próximas e tudo que o fazia sentir-se vivo. Saiu do quarto vagarosamente, fechando cuidadosamente a porta. Não queria de jeito nenhum acabar com o silêncio que tanto gostava.
Mas logo ao fechar a porta percebeu vozes vindo do andar de baixo. Pelo menos duas pessoas conversavam e ele tinha certeza que uma delas chorava bastante. Esgueirou-se até o começo da escada, mas ainda assim não via ninguém lá embaixo. Ao tentar dar mais um passo percebeu que estava pisando em algo. Abaixou-se para ver o que era e para sua surpresa o liquido espesso que percorria toda sua mão era sangue. Ele se viu no meio de uma enorme poça vermelha.
Ele se desesperou, não sabia o que fazer. Voltou para o quarto, tentando não chamar a atenção das pessoas lá embaixo. Ao entrar, depois de trancar a porta, caiu na cama. Sua mente trabalhava rapidamente e milhares de coisas passavam por sua cabeça. Não sabia porque, mas não se lembrava de nada sobre a noite anterior. Isso o estava deixando cada vez mais nervoso. Será que ele teria feito alguma besteira? De quem era aquele sangue? E quem eram as pessoas lá embaixo?
Ainda estava imerso em seus pensamentos quando reparou a porta do quarto se abrindo. Ficou petrificado e imaginou que o pior estava para acontecer e para piorar a situação, ele tinha certeza de ter trancado a porta. A porta se abriu totalmente e um homem entrou. O susto se transformou em surpresa e logo em um medo descomunal. Diante dele um policial vasculhava o quarto, mas estranhamente não olhava para ele. Além disso, o policial parecia distorcido, como se fosse um fantasma.
O policial parou de investigar e por um longo momento olhou fixamente para ele. Depois de se certificar que não havia mais nada pra olhar, o policial gritou que o quarto estava limpo e saiu, deixando Paulo completamente atônito. O que diabos tinha acontecido ali. Resolveu descer e ver uma vez por todas o que estava ocorrendo. Saiu do quarto, passou pela poça de sangue e desceu a escada.
A casa parecia ter sido devastada por um furacão. A sala estava uma verdadeira desordem. Muitas coisas destruídas e muitas desaparecidas. Uma faixa de isolamento fechava a porta de entrada. Ele seguiu as vozes e foi direto para a cozinha. Lá encontrou mais um policial. Os dois policiais conversavam com uma linda moça de aproximadamente 25 anos. Ela era loira e seus olhos eram de um maravilhoso azul claro. Ele a reconheceu rapidamente. A moça era sua namorada. Ele a olhava como se fosse a primeira vez, e sentia-se como se estivesse se apaixonando por ela novamente. A moça chorava muito enquanto conversava com os dois policiais.
Estranhamente ele não conseguia enxergar muito bem. Tanto os policiais quanto sua namorada estavam completamente disformes, como se não passassem de sombras, sombras de um passado ao qual ele não pertencia mais. Ele fechou os olhos e aos poucos sua mente foi clareando e como flashes ele se lembrou da noite anterior. Lembrava-se de um homem entrando em seu quarto e o acordando. Depois de um luta e então o homem puxou uma faca. Nesse momento Paulo sentiu a lâmina fria entrar em corpo, rasgando sua pele dolorosamente. Ele se lembrava perfeitamente da dor.
Abriu os olhos e caminhou até o fim da cozinha e viu seu corpo estendido atrás do balcão. A camisa manchada de sangue e sua pele morbidamente branca. Ao olhar aquilo sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto. Sabia que era impossível, mas mesmo assim sentiu-a em sua face. Uma forte luz tirou-o do transe. A luz vinha do fim do corredor e iluminava todo o ambiente. Ele sentia uma quente brisa vindo em sua direção e pela primeira vez desde que havia acordado sentiu seu corpo esquentar.
Virou-se e olhou para aquelas pessoas em sua cozinha e se lembrou que jamais poderia se despedir da pessoa que mais amava no mundo, mesmo ela estando ali, a menos de 5 metros. Naquele momento se arrependeu de tudo que fizera de errado na vida, mas acima de tudo, se arrependia por nunca ter dito o quanto a amava. E pela segunda vez deu as costas e deixou para trás as pessoas, o som da chuva, o farfalhar das árvores e o gosto dos beijos, o amor e tudo que o fazia sentir-se vivo, e caminhou em direção a luz.
E para a surpresa dos Policiais, ao aproximarem-se do corpo viram que havia uma pequena poça de água ao seu lado. Eles jamais iriam descobrir que aquilo eram lágrimas de uma alma perdida.